ENTIDADE FOI O PRIMEIRO ÓRGÃO BRASILEIRO DESTINADO
ESPECIFICAMENTE À PESQUISA E TRATAMENTO DO STRESS


Em abril de 1985, nascia a primeira entidade na América Latina destinada a pesquisar o stress, com suas causas e sintomas, bem como promover o tratamento do stress excessivo. O Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS) nasceu com sede em Campinas e, 20 anos depois, já atendeu mais de 15 mil pessoas. O stress, que na época da criação do CPCS, era desconhecido no país, virou assunto cotidiano, muito embora as pesquisas não se esgotem e muitas pessoas ainda necessitem de esclarecimentos e ajuda para combater esta que não é uma doença, mas uma reação do organismo a situações ameaçadoras, que exigem grandes mudanças e adaptações. Com um gasto excessivo de energia, a resistência do indivíduo cai e muitas doenças podem aparecer.

A fundadora do CPCS, Marilda Emmanuel Novaes Lipp, passou anos estudando nos Estados Unidos, onde conquistou o título de Ph.D. em psicologia pela Universidade George Washington, escrevendo sobre o stress. Ao retornar ao Brasil, em 1981, Marilda notou que o assunto era desconhecido no país e, dessa forma, surgiu a idéia do CPCS. “Eu observava as pessoas e reconhecia os sinais de stress claramente, mas ninguém parecia entender que se tratava de stress e chamavam de várias outras formas, deste modo, o problema não era tratado adequadamente. Foi ai que percebi que o Brasil precisava urgentemente de que se desenvolvesse este campo de atendimento e resolvi fundar o CPCS”.

Hoje, a psicóloga é uma das maiores autoridades sobre o stress no país, resultado das inúmeras pesquisas que coordenou dentro do CPCS e dentro das universidades, orientando dezenas de dissertações de mestrado. Marilda também é autora de vários livros sobre o tema.

PIONEIRISMO

Dentro do Centro Psicológico de Controle do Stress, Marilda Lipp elaborou um programa de tratamento para o stress excessivo, composto de 12 a 15 sessões, baseadas na Teoria Comportamental Cognitiva (TCC). O programa auxilia no treinamento da habilidade de lidar com o stress, com exercícios de relaxamento, orientação sobre exercícios físicos e alimentação anti-stress. Viver a vida sem stress é uma utopia. Em algum momento da vida, as pessoas fatalmente vão passar por experiências de stress, mas há ferramentas que ajudam a minimizar os efeitos e sintomas do stress excessivo.

O CPCS atua não apenas no tratamento do stress, mas também na realização de cursos de aperfeiçoamento e extensão para profissionais da área de saúde e treinamento em empresas, sobre relações interpessoais, controle de tempo, mudança de hábitos de vida, qualidade de vida, entre outros. O trabalho do CPCS, que começou em Campinas, hoje se espalhou pelo país. Além da matriz e da filial, em São Paulo, existem franquias nas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Fortaleza, Curitiba e Campo Grande.

DESCOBERTAS

Após 15 anos de pesquisa Marilda Lipp propôs um modelo quadrifásico para o stress, expandindo o modelo trifásico estabelecido até então, criado por Hans Selye em 1936. Lipp foi a responsável pela padronização do inventário de Sintomas do Stress para adultos, com o qual é possível medir o nível de stress nas pessoas, o que facilita para estabelecer o tratamento para cada caso. Neste inventário, Marilda Lipp incluiu a fase de “quase-exaustão”. No passado, considerava-se que o stress se desenvolvia apenas em três fases: alerta, resistência e exaustão. A fase de quase-exaustão situa-se entre a fase da resistência e a fase da exaustão.

As pesquisas sempre trazem novos dados ao tema do stress e assuntos relacionados. Há 20 anos, não se cogitava falar de stress em crianças, por exemplo, e hoje sabe-se que elas também sofrem com ele. Crianças que não conseguem saber claramente o que estão sentindo acabam se passando por malcriadas ou birrentas, quando na verdade estão sofrendo a ação do stress excessivo.

Hoje, a incidência do stress no Brasil é de 32% na população adulta, e as mulheres são as mais atingidas. A multiplicidade de papéis, aliando as responsabilidades profissionais com as responsabilidades de cuidar da casa e dos filhos é um dos principais motivos que fazem as mulheres liderarem as estatísticas do stress.

Mas, atingindo homens e mulheres, a globalização e o avanço de novas tecnologias são apontados como o grande fator estressor da atualidade, pois exigem adaptações constantes, e todo processo de adaptação tem o poder imediato de desencadear o processo de stress. “O Brasil, como todo país em desenvolvimento, está no centro de um processo de mudanças intensas, incluindo mudanças de valores, princípios, hábitos, tecnologia, pensar e fazer. Assim, o stress vai se tornando cada vez mais freqüente”, afirma a doutora.

Para ela, este é o milênio das mudanças, da reorganização mundial, do entrosamento de valores, da transferência de tecnologia e da globalização de valores. O stress está e continuará sendo grande, mas o ser humano - criança ou adulto - tem a capacidade de aprender estratégias de enfrentamento. “E é por isto que as pesquisas e os trabalhos clínicos do stress assumem tal importância neste século. Mais do que nunca, é preciso – e possível - desenvolver mecanismos de adaptação que garantam não só a sobrevivência, mas também uma vida de melhor qualidade para todos nós”, completa.

Mais informações:
Rua Tiradentes 289 – conjunto 91 – Guanabara – Campinas/SP - CEP 13023-190
Telefone: (019) 3234-0288
www.estress.com.br

| home | Congresso | Laboratório |