Pesquisa: Stress Brasil

A Pesquisa Stress no Brasil foi realizada on-line pelo instituto de Psicologia e Controle do Stress, sob a direção da Dra. Marilda Novaes Lipp, diretora do IPCS.

Os dados foram coletas por um período de 45 dias, de 7 de abril até 17 de maio de 2014. A pesquisa ocorreu em nível nacional e para participar o respondente precisava ser brasileiro, acima de 18 anos e viver em qualquer estado do Brasil.

Esta foi a primeira vez que uma pesquisa desta natureza foi realizada no Brasil. A ideia surgiu da pesquisa conduzida por pesquisadores americanos sobre “Stress in America” elaborada pela Associação Americana de Psicologia (APA) durante o mês de agosto de 2012.

Nos EUA foram avaliadas respostas dadas, também on-line, por 2.020 americanos. A expectativa no Brasil era de atingir o mesmo numero, porem, a meta foi ultrapassada em que 2.195 brasileiros responderam prontamente à pesquisa declarando seu nível de stress e fornecendo outras informações sobre o assunto.

Os objetivos da pesquisa foram:

  • Conduzir um levantamento da incidência de stress no Brasil, de acordo com auto percepção dos brasileiros e se o brasileiro considera que sabe lidar com o stress;
  • Verificar se os brasileiros acham que o stress diminuiu, aumentou ou continuou igual comparando-se o presente com o passado e verificar qual o nível de stress que eles julgam aceitável no ser humano adulto;
  • Mapear as maiores fontes de stress do brasileiro;
  • Mapear as estratégias de enfrentamento a que o brasileiro utiliza para lidar com seus desafios; e
  • Levantar as doenças mais comuns nos respondente e ver se tem ligação com o stress.

 NÍVEL DE STRESS AUTO PERCEBIDO

Quando questionados sobre seu nível de stress em uma escala de 1 a 10, sendo 10 o nível mais extremos ; 34,26% relataram estar experienciando stress extremo (notas 8,9 e 10 na escala de 10 pontos). Esta incidência de extremo estresse é muito maior do que a detectada na pesquisa americana, na qual somente 20% dos respondentes assinalaram esse nível. Note-se que na pesquisa brasileira 4,02% das pessoas disseram estar experimentando o máximo de stress possível (10 na escala de 10 pontos). Situação preocupante!

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Levando-se em consideração que quando solicitados a dizerem o que achavam ser o nível normal de stress para um ser humano adulto e se julgavam saudável o nível de stress que estavam experimentando, a quase totalidade (91,96%) dos respondentes alegaram que o normal seria até nota 5/6 em uma escala de 10 pontos. Trinta e três por cento deles afirmaram considerar que seu nível de stress era excessivo e somente 11,96% o consideraram saudável. Pode-se, portanto, inferir o quanto os respondentes devem estar sofrendo do stress excessivo que experimentam, sabendo, inclusive, que estão provavelmente transcendendo seus limites. O nível de stress detectado ultrapassa muito o que os participantes consideram normal.

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Averiguou-se também como se comparava o stress atual frente ao que já haviam experimentado no passado. Mais de um terço do povo brasileiro avaliado ( 37,79%) considera que o stress está maior ou muito maior, 47,29% acha que está menor e 15,02% acha que está igual. O numero de pessoas que consideram que o stress no Brasil está aumentando é maior do que o dos americanos quanto ao stress nos EUA ,q eu foi de 35% comparado com o do Brasil que foi de 37,79%.

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Curiosamente, apenas 2,86% dos que entrevistados alegaram lidar com o seu stress de modo excelente (Tabela 9), sendo que 61,21% diz saber lidar em parte e 2,52% não consegue lidar de modo algum.

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Avaliaram-se adicionalmente as doenças que os respondentes disseram ter, Verifica-se que 1.100 participantes, ou seja, 52,28% deles disseram ter ou já ter tido o diagnóstico de stress, mostrando a gravidade do stress no Brasil

55,60% deles sofrem ou já sofreram de ansiedade, 23,20% tem ou tiveram o diagnostico de depressão e 10,37% tem ou tiveram pânico, todos esses transtornos sendo de origem psicológica.

Gastrite (32,64%) e asma ou outra doença respiratória (20,45%) lideram as doenças psicossomáticas.

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A pesquisa averiguou o que mais criava stress. As relações interpessoais (18,56%) surgiram como o numero 1 dos estressores, seguida de dificuldades financeiras (17,32%) e sobrecarga de trabalho (16,58%).

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Devido a alta incidência de dificuldades interpessoais, pesquisou-se esse dado mais profundamente . Foi verificado que as relações familiares contribuem de modo mais significativo para o stress dos brasileiros que responderam (7,85%), seguidas de relacionamentos amorosos (7,01%).

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 O estudo pesquisou as estratégias de enfrentamento que os brasileiros utilizam para lidar com o nível de stress elevado que experimentam no seu dia a dia. A Tabela abaixo permite verificar que a grande maioria (75,74%) “conversa com amigos ou familiares” na busca de alivio, e tenta analisar e eliminar a sua fonte de stress (71,37%). Interessante o numero alto de brasileiros que utilizam exercício físico como uma estratégia anti stress ou que reza, ora, faz irradiações mentais para este fim (62,45%). Não se deve ignorar eu 53,87% come na tentativa de aliviar o stress. Quarenta de dois por cento procura um psicólogo , 38,53% faz compras e 16,23% faz acupuntura..

A Tabela abaixo mostra também outras estratégias usadas para aliviar o stress, tais como: uso de calmante( 21,81%) , bebias alcoólicas (16,52%), fuma cigarro (9,75%) e maconha (3,19%).

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CONCLUSÃO

O estudo contou com a colaboração de 2.195 brasileiros com idade de 18 a 75 anos, sendo 25,65% do sexo masculino e 74,35% do feminino de todo o país..

Dados indicaram:

  1. 34,26% dos entrevistados indicam que percebem que seu nível de stress está extremo (notas 8-10 na escala de 10 pontos);
  2. 4,02% considera que está experimentando stress extremo (nota 10 na escala de 10 pontos);
  3. Os brasileiros lutam, usando inúmeras estratégias que vão desde conversar com a família e amigos sobre o problema até procurar um psicólogo, acupunturista, rezar, fazer compras e comer, tentando manter seu nível de stress dentro do que eles acreditam ser o normal (níveis 5-6 na escala de 10 pontos) , porem para 34,26% deles o índice de stress percebido está extremo (notas 8-10 na escala de 10 pontos);
  4. Mais de um terço dos 2.195 brasileiros acha que o nível de stress aumentou ultimamente;
  5. 61,21% acha que consegue lidar com os seus estressores apenas parcialmente e 2,52% acreditam que não conseguem lidar de modo algum com o que os estressa;
  6. Os relacionamentos (familiares, amorosos, com colegas e chefes) são apontados como a maior fonte de stress pra os brasileiros;
  7. Dificuldades financeiras são indicadas como o segundo maior estressor do brasileiro;
  8. Sobrecarga de trabalho é o terceiro maior estressor;
  9. 52,28% já tiveram ou tem o diagnóstico e stress;
  10. 55,60% sofrem de ansiedade;
  11. 23,20% sofrem ou sofrem de depressão;
  12. 10,37% têm ou já tiveram pânico.