FOBIA SOCIAL E STRESS

A fobia social é um tipo de transtorno de ansiedade que vem se mostrando extremamente associado ao stress.

Vários fatores dentro do quadro do transtorno parecem contribuir para tal associação. Um dos fatores mais importantes são as restrições que a fobia social traz para a vida do indivíduo como um todo, pois dessa forma deixa de progredir em uma série de setores.

Além disso, os constantes enfrentamentos da situação de fobia a que o mesmo precisa se submeter por serem impossíveis de evitar e o fato de, quando é possível em alguns casos, ter que recorrer a comportamentos de evitação e fuga, contribuem para uma baixa auto-estima, a qual traz constante sofrimento.

Resumindo, o fóbico social sofre pelas limitações de sua vida, sofre quando enfrenta a situação temida, sofre por se achar incapacitado para lidar de maneira ajustada com várias situações e, por outro lado, quando não enfrenta, pois também dessa forma fica constatada sua incompetência frente à vida. Todo esse conjunto de sofrimentos vai, ao longo de um certo tempo, levando o fóbico a um stress que pode chegar a níveis bastante preocupantes.

As interpretações dadas pelo fóbico social às situações que envolvam interações estão relacionadas a perigo. E isso leva a um estado de alerta, com o objetivo de lutar ou fugir daquele perigo. Se considerarmos que o fóbico social possa precisar passar constantemente por situações onde é necessário se expor e interagir, ele estará várias vezes, possivelmente até no mesmo dia, sofrendo uma ativação autonômica acentuada.

Tal ativação de forma tão intensa e freqüente pode conduzir ao stress, muitas vezes severo, para o indivíduo, havendo um desgaste que pode fazer com que o mesmo possa vir a sofrer, inclusive, problemas de saúde. O stress prolongado, que é o que normalmente ocorre no caso da fobia social, vai avançando, podendo afetar o sistema imunológico da pessoa e, com isso, facilitar o aparecimento de doenças para as quais o indivíduo já tenha predisposição.

Estudos em andamento no Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress (LEPS), em Campinas, coordenados pela Dra. Marilda Novaes Lipp, revelam os riscos que o hipertenso corre na medida em que constantemente necessite enfrentar situações sociais quando apresenta dificuldades na área.

Os estudos têm enfatizado a importância de treino de habilidades sociais e mudanças cognitivas, junto a outras estratégias de controle do stress, para que possa haver um maior controle da doença. A Dra. Marilda Novaes Lipp e o Dr. João Carlos Rocha fazem referência às conseqüências que o stress social tem para o hipertenso em seu livro “Stress, Hipertensão Arterial e Qualidade de Vida”, (Ed.Papirus, 1996).

Afirmam os autores que muitos hipertensos não possuem habilidade social muito desenvolvida e se sentem desconfortáveis em situações interpessoais. Assim, quando eles têm que enfrentá-las, sofrem um aumento da pressão arterial. Tal descoberta traz uma preocupação com as conseqüências quanto ao agravamento da doença a longo prazo para o paciente que é constantemente submetido ao stress social.

É claro que nem todos os indivíduos com dificuldades sociais têm tendência a hipertensão arterial, mas podem apresentar predisposição em outra área. No entanto, da mesma forma que no caso do hipertenso, o indivíduo estará correndo risco de um agravamento do seu problema na medida em que fica submetido a um stress constante frente situações sociais.

 

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Lucia Novaes Malagris